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segunda-feira, agosto 30, 2010

Diálogo sobre a morte

Alguém - Tu não vais ficar triste se o avô morrer?
Ela - Não. Ele sabe e eu sei o que vale a nossa relação. Ninguém engana ninguém. Não somos chegados.
Criança - Olha, ela não fica triste porque depois nasce um outro avô...

quinta-feira, abril 08, 2010

Os mortos são viajantes?

Eu e a minha irmã
Vamos à ópera
Assistir à história de 6 mulheres aprisionadas numa estação de metro
Não são umas mulheres quaisquer
São escritoras e todas suicidas...

Música: Hugo Ribeiro
Libreto: Armando Nascimento Rosa


Se tiverem curiosidade, espreitem aqui.

quinta-feira, março 11, 2010

Folhas outonais

Ontem, enquanto jantava em família, recordei-me de eventos que se passaram comigo há anos. Dos que já nem suspeitaria existirem em mim, sobretudo, com aquela força viva.
As memórias são como folhas outonais que balançam ao vento, de vez em quando, há umas que nos caem no colo.

quinta-feira, fevereiro 25, 2010

A genialidade das teorias simples

Ontem bem tentei escrever um texto, mas o sistema informático não mo permitiu. É a censura moderna.

"Há duas coisas infinitas, o Universo e a estupidez humana. E não estou tão certo quanto ao Universo."

Albert Einstein

terça-feira, novembro 17, 2009

"É QUE NÓS SOMOS UM POEMA"

"É que nós somos um poema"

Era assim que explicava Heitor Villa-Lobos, o mais famoso compositor brasileiro, falecido há 50 anos (17 de Novembro de 1959), o facto da sua música ter um pendor tão sedutor.
Habituados a considerar os brasileiros um povo alegre e descontraído - Agostinho da Silva referia-se-lhes como sendo "portugueses à solta" - a música de Villa-Lobos traz-nos o lado mais  melancólico, triste e, até, saudosista da maneira de ser brasileira.
Ouso em afirmar que o mais agradável da sua música poderá estar na constatação, sempre feliz, que as pessoas e, na sua extensão, os povos, não têm uma, e apenas uma, forma de ser. Aliás, não deixa de ser simplista fazer afirmações tão genéricas quanto os alemães são metódicos, os portugueses caóticos e os brasileiros efusiantes. O interessante é poder ser tudo isso e o seu contrário. Que é o que acaba por ser a música de Villa-Lobos.
Se nunca ouviram, oiçam-na. Há cerca de 1200 composições à escolha.

segunda-feira, agosto 31, 2009

Pelos caminhos de Portugal

Em Braga as igrejas estão cheias ao sábado à tarde. Apesar do cheiro a mofo.
Em Braga faz-se amigos que falam de política e que constroem futuros com calos nas mãos - coisa rara e admirável. Em Braga vive Helena, a que cativou Menelau e Páris com a sua beleza sedutora e incediou guerras no tempo do antigamente: tem os mesmos cabelos de oiro e o mesmo sorriso encantatório.
Em Braga as portas das casas abrem-se para deixar entrar toda a gente e toda a gente se sente em casa na casa dos que vivem em Braga.
Em Braga almoça-se e lancha-se e janta-se com os amigos do amigo em mesas intermináveis. E quando se acaba de almoçar já está na hora de lanchar e quando se acaba de lanchar já está na hora de jantar. E é bom. Porque as casas não são fortalezas erguidas contra os outros e as televisões não roubam nem tempo de conversa, nem tempo de discussão, nem tempo de amizade.
Lisboa não é Portugal. Nem podia, se assim o quisesse...

segunda-feira, agosto 17, 2009

Castelo de Vide/ Marvão/ Sr.ª da Penha (não da Graça)

O silêncio das ruas permite ouvir o tamanho do calor que fica suspenso no ar da manhã. Poucos são os passos que se cruzam com os meus, poucos ou nenhuns. Há, de tempos a tempos, uns passos velhos e agastados, que arrastam idade e cansaço, assim como sacos de plástico pela mão. Também há ruas e ruelas estreitinhas, onde é possível esticar os braços e chegar num instante à janela da vizinha que nos empresta um pouco de poejo para temperar a comida. A antiguidade esconsa delimita geometrias de traçado antigo. Não há excesso. Também não há pouquidão.
Com passinhos em volta, atinge-se o paraíso, se ele houvesse, que eu sei que não há. Lá no alto, o céu é mais nosso e o horizonte não cabe apenas no olhar. É maior. Muito maior.
Tem uma cadeira de desejos. Uma cadeira que não é uma cadeira, é uma pedra esculpida na montanha a fazer de cadeira. Diz-se que no tempo em que os homens iam à tropa, as mães vinham sentar-se ali para pedir à santa que não lhes levasse os filhos. A santa não levava.
Também estive sentada naquela cadeira e pedi o meu desejo. Só que foi um de fingir, o desejo maior guardei-o em segredo, que é onde os desejos devem guardar-se...

quarta-feira, março 18, 2009

Londres: a porta azul

Vou a Londres. Dia 27 de Março, pelas 18.35.
Não conheço a cidade, uma vez que nunca lá estive. Ainda assim, conheço a cidade, mesmo sem nunca lá ter estado. Pelos amigos que a habitam, pelos amigos que já a visitaram, pelos livros que dela falam, pelos filmes que nela se rodaram. Há um em particular que me ofereceu uma imagem da cidade que alimentei como sendo a que gostaria de encontrar: Notting Hill. Uma comédia romântica protagonizada por Julia Roberts e Hugh Grant. Apesar de ser um filme ligeiro, com alguns momentos hilariantes, muito à custa da personagem interpretada por Rhys Ifans - quem não se lembra das cuecas de Spike reveladas às centenas de jornalistas? - , há ainda a livraria onde os protagonistas se conhecem e a porta azul da casa que a personagem de Grant habita.
Quem não gostaria de morar numa casa de porta azul? A mim parece-me que uma porta azul seria uma entrada mais simples e eficaz para os sonhos.
Em breve, Londres deixará de ser um sonho e tornar-se-á numa memória... e por que não azul?