Esta semana fechei uma série de janelas. E fi-lo convicta de que as portas que agora se enfileiram diante de mim são entradas mais perfeitas e abrangentes para uma série de coisas novas que esperam para ser vividas. Estranhamente, não me doeu fechar essas janelas. Não houve a lágrima da nostalgia ou da melancolia a vaguear pelo meu rosto. Terei eu chorado todas as lágrimas? Esgotei eu o stock que me era destinado? Ou, afinal, essas janelas estavam já cerradas e eu só me limitei a colocar-lhes o trinco final?
Hoje encerro a derradeira janela. Esta é a minha última noite de trabalho no Blues Café. Não sei como me sentirei; sei que a experiência da noite valeu-me uma maturidade que não tinha ainda alcançado. Valeu-me também conhecer uma série de pessoas que passaram a fazer parte da minha família "Blues". Será deles que sentirei mais falta. Espero poder roubar-lhes, sem que eles se apercebam, um pouco de cada um e com isso construir um álbum de memórias a que recorrerei sempre que a saudade apertar.
Não sei se sou uma pessoa saudosista, mas sinto saudades de muitas pessoas, muitas vezes. Sou daquelas que consegue sentir a ausência de alguém mesmo que essa pessoa esteja sentada a meu lado. A verdade é que não sei gostar pouco; se gosto, gosto tudo.
Esperem... sinto os meus olhos a arder... sinto a visão a turvar... a angústia ataca-me de dentro para fora... dizer adeus não é fácil, fechar janelas inclui fechar o que fomos durante algum tempo. Uma coisa é certa: ainda me restavam, afinal, muitas lágrimas!
"Se eu quisesse enlouquecia" é a primeira frase de um conto de Herberto Helder, do livro "Passos em Volta". Para mim, este "se eu quisesse" abre o mundo a infinitas possibilidades; deixa que a imaginação flua e que a vida se manifeste no entrelinhamento do mero desejo e do realmente acontecido. Entre uma margem e outra, escrevo.
quinta-feira, junho 12, 2008
terça-feira, junho 10, 2008
O BARCO virou
A vida é um mistério. Não há hipótese, por mais que tentemos desvendá-lo, ele prova-nos que estamos longe, sempre longe de consegui-lo.
De um momento para o outro, ganho um novo emprego (e, diga-se, um renovado ordenado), que me abre a porta a uma infinidade de possibilidades. E como se não bastasse, esbarro contra uma parede (1,87m de parede), que, na verdade, esteve durante muito tempo à minha frente, à espera que eu esbarrasse de encontro a ela, sem que eu tivesse capacidade sequer de vê-la. Depois disto, caramba, só me resta sorrir. Aliás, sorrir não basta, eu preciso de dar gargalhadas estridentes para o mundo escutar o meu agradecimento.
A vida é um mistério. A vida apetece. E eu apetece-me celebrar a sorte por o meu barco, depois de enfrentar as mais duras e angustiantes tempestades, ter encontrado as águas calmas que me possibilitarão amadurecer em paz. E já agora... atracada a uma parede de 1,87m!
De um momento para o outro, ganho um novo emprego (e, diga-se, um renovado ordenado), que me abre a porta a uma infinidade de possibilidades. E como se não bastasse, esbarro contra uma parede (1,87m de parede), que, na verdade, esteve durante muito tempo à minha frente, à espera que eu esbarrasse de encontro a ela, sem que eu tivesse capacidade sequer de vê-la. Depois disto, caramba, só me resta sorrir. Aliás, sorrir não basta, eu preciso de dar gargalhadas estridentes para o mundo escutar o meu agradecimento.
A vida é um mistério. A vida apetece. E eu apetece-me celebrar a sorte por o meu barco, depois de enfrentar as mais duras e angustiantes tempestades, ter encontrado as águas calmas que me possibilitarão amadurecer em paz. E já agora... atracada a uma parede de 1,87m!
quinta-feira, junho 05, 2008
Chave MÁGICA
Gostava de ter uma chave, não uma qualquer, mas uma chave mágica. Gostava de ter uma chave mágica que me desse acesso a outros mundos diferentes do meu. Gostava de ter uma chave que abrisse todas as fechaduras de todas as portas, que me possibilitasse aceder a segredos ou a futuros.
Amanhã vou a uma entrevista de trabalho que pode mudar a minha vida. Amanhã vou também à estreia do Sexo e a Cidade, comemorar um dia que mudou a minha vida: o 5 de Maio de 2007. Amanhã, por esta hora, serei uma pessoa diferente? Após aquele 5 de Maio de 2007 tornei-me uma pessoa diferente.
Se eu tivesse uma chave mágica, destrancava corações e palavras. Não deixaria que ninguém ficasse com ambos entalados na garganta. Toda a gente diria o que pensa e o que sente. Ninguém se sentiria fraco só por dizer: "Tenho medo" ou por dizer "Gosto de ti". Desde o dia 5 de Maio de 2007 houve mais vezes que me apeteceu dizer "tenho medo" e "gosto de ti" sem receio de que me julgassem fraca. E se olhar para as minhas mãos verei que não tenho em meu poder a tal chave mágica, pelo menos não a dos meus sonhos, a que abre janelas e portas para outros universos, para outras margens. Mas há uma chave que me foi entregue desde o dia 5 de Maio de 2007, a chave da amizade, pronta a ser utilizada em duas portas que traziam o nome gravado: Susana e Vasco. Abri-as e desde esse dia nunca mais as tranquei. Amanhã comemoraremos um ano sobre o dia em que nos conhecemos.
Amanhã, eu serei a Charlotte, a Susana será a Carrie e o Vasco a Samantha e nenhum de nós se esquecerá de dizer "tenho medo" ou "gosto de ti", se isso for realmente importante.
Entretanto, sinto-me ansiosa por saber o resultado da entrevista que terei amanhã.
Ai se eu tivesse uma chave mágica...
Amanhã vou a uma entrevista de trabalho que pode mudar a minha vida. Amanhã vou também à estreia do Sexo e a Cidade, comemorar um dia que mudou a minha vida: o 5 de Maio de 2007. Amanhã, por esta hora, serei uma pessoa diferente? Após aquele 5 de Maio de 2007 tornei-me uma pessoa diferente.
Se eu tivesse uma chave mágica, destrancava corações e palavras. Não deixaria que ninguém ficasse com ambos entalados na garganta. Toda a gente diria o que pensa e o que sente. Ninguém se sentiria fraco só por dizer: "Tenho medo" ou por dizer "Gosto de ti". Desde o dia 5 de Maio de 2007 houve mais vezes que me apeteceu dizer "tenho medo" e "gosto de ti" sem receio de que me julgassem fraca. E se olhar para as minhas mãos verei que não tenho em meu poder a tal chave mágica, pelo menos não a dos meus sonhos, a que abre janelas e portas para outros universos, para outras margens. Mas há uma chave que me foi entregue desde o dia 5 de Maio de 2007, a chave da amizade, pronta a ser utilizada em duas portas que traziam o nome gravado: Susana e Vasco. Abri-as e desde esse dia nunca mais as tranquei. Amanhã comemoraremos um ano sobre o dia em que nos conhecemos.
Amanhã, eu serei a Charlotte, a Susana será a Carrie e o Vasco a Samantha e nenhum de nós se esquecerá de dizer "tenho medo" ou "gosto de ti", se isso for realmente importante.
Entretanto, sinto-me ansiosa por saber o resultado da entrevista que terei amanhã.
Ai se eu tivesse uma chave mágica...
sexta-feira, maio 30, 2008
Menos eu...
Nada vai mudar. No entanto, tudo já mudou. As coisas vão ser iguais, excepto naquilo em que serão completamente diferentes.
Não posso mais aguardar, febril, pela voz do outro lado do telefone, que me dizia:
- Anda pagar-me um café.
As moedas ficarão, agora, atiradas pela carteira, sem razão de existirem.
O telefone continuará naquele lugar: 8192, mas na verdade deixou de ter o mesmo funcionamento, pelo menos, em mim.
Não posso mais olhar incessantemente, à chegada e à saída, para o lugar onde estacionavas o teu carro, ele estava lá para demarcar a tua presença ou a tua ausência. Se o não via, o meu coração saltava de ânsia (onde é que ele andará, pensava); se o via, o meu coração saltava de ânsia (posso vê-lo a qualquer instante, pensava).
Se tudo isto é errado, se não és definitivamente merecedor dos meus afectos, então porque é que me dói tanto, mas tanto aqui dentro?
Se isto é apenas um "até já" então porque o meu coração o sente como um "adeus"?
Mas por que razão continuo eu a chorar como um bebé?
Incontrolável mágoa que me magoa os olhos e a alma, incontrolável paixão que não morre, nem mesmo quando lhe acerto os mais eficazes golpes.
Amanhã, cada passo dado na direcção daquela casa grande e assustadora, será um passo dado em direcção ao abismo. Toda a gente virá perguntar-me pelo meu sorriso e eu só desejarei estar só, em paz. Quero-te de volta. Quero-te de volta. Quero-te de volta. Quero-te de volta. Quero-te de volta. Quero-te de volta. Quero-te de volta. Quero-te de volta. Quero-te de volta. Quero-te de volta. Quero-te de volta. Quero-te de volta. Quero-te de volta. Quero-te de volta.
Sem ti, sou sempre menos eu.
Não posso mais aguardar, febril, pela voz do outro lado do telefone, que me dizia:
- Anda pagar-me um café.
As moedas ficarão, agora, atiradas pela carteira, sem razão de existirem.
O telefone continuará naquele lugar: 8192, mas na verdade deixou de ter o mesmo funcionamento, pelo menos, em mim.
Não posso mais olhar incessantemente, à chegada e à saída, para o lugar onde estacionavas o teu carro, ele estava lá para demarcar a tua presença ou a tua ausência. Se o não via, o meu coração saltava de ânsia (onde é que ele andará, pensava); se o via, o meu coração saltava de ânsia (posso vê-lo a qualquer instante, pensava).
Se tudo isto é errado, se não és definitivamente merecedor dos meus afectos, então porque é que me dói tanto, mas tanto aqui dentro?
Se isto é apenas um "até já" então porque o meu coração o sente como um "adeus"?
Mas por que razão continuo eu a chorar como um bebé?
Incontrolável mágoa que me magoa os olhos e a alma, incontrolável paixão que não morre, nem mesmo quando lhe acerto os mais eficazes golpes.
Amanhã, cada passo dado na direcção daquela casa grande e assustadora, será um passo dado em direcção ao abismo. Toda a gente virá perguntar-me pelo meu sorriso e eu só desejarei estar só, em paz. Quero-te de volta. Quero-te de volta. Quero-te de volta. Quero-te de volta. Quero-te de volta. Quero-te de volta. Quero-te de volta. Quero-te de volta. Quero-te de volta. Quero-te de volta. Quero-te de volta. Quero-te de volta. Quero-te de volta. Quero-te de volta.
Sem ti, sou sempre menos eu.
sábado, maio 24, 2008
Ai, ai... que o calor não chega!
O calor teima em não chegar. Emigrou? Está com medo?
Eu entendo-o. Se tivesse escolha, se calhar, hoje estaria a passear-me por outras paragens. Com os preços do gasóleo a subir em flecha, fazendo com que uma simples ida ao supermercado se torne num gasto extra a ser ponderado com a máquina de calcular ao lado, ou com altas figurinhas do nosso Estado a serem apanhadas a fumar dentro de um avião e a reagir ao evento com um simples : "Lamento!", a vontade é a do exílio temporário. Lamentar ele lamenta, mas não por ter infringido a lei que o seu próprio governo aprovou em assembleia; lamenta apenas ter sido apanhado a fazê-lo. O problema, parece-me, não está no acto em si, mas no momento em que ele se torna público. Um caso que me lembra o da agressão à professora por uma aluna, que pôs o país em acesa discussão sobre a perversidade das novas tecnologias, uma vez que o episódio se tornou público após exposição no Youtube, depois de ter sido gravado a partir de um telemóvel. Mais uma vez digo, a questão não seria lamentável se a agressão se processasse dentro das quatro paredes da sala de aula, num acto privado e isolado, como tantas e tantas vezes sucede; a questão coloca-se porque a agressão extrapolou a ordem privada e tornou-se pública. De quem é a culpa? Dos telemóveis, pois claro! Resolução: proíbe-se o seu uso dentro das salas de aula. Conclusão? As agressões continuam a existir, as agressões e as violações à lei por parte de quem exerce as maiores responsabilidades civis, pelo menos todas aquelas que se mantêm longe dos olhos públicos!
O que sei é que o calor pode tardar, mas eu garanto que os meus pés não voltarão a estar fechados dentro de um par de botas. Não quero saber se farei figuras ridículas por correr de chinelo no pé para não ser apanhada pela chuva, ou tiritar de frio, por estar com eles (os pés) expostos. O certo é que me recuso a sucumbir ao Inverno que por aí anda. E como gosto de ser coerente, quis tornar a minha resolução pública. Se não o fizesse, segundo os novos tempos, ela tornava-se menos verdadeira e, por consequência, inexistente. Estou certa?
Eu entendo-o. Se tivesse escolha, se calhar, hoje estaria a passear-me por outras paragens. Com os preços do gasóleo a subir em flecha, fazendo com que uma simples ida ao supermercado se torne num gasto extra a ser ponderado com a máquina de calcular ao lado, ou com altas figurinhas do nosso Estado a serem apanhadas a fumar dentro de um avião e a reagir ao evento com um simples : "Lamento!", a vontade é a do exílio temporário. Lamentar ele lamenta, mas não por ter infringido a lei que o seu próprio governo aprovou em assembleia; lamenta apenas ter sido apanhado a fazê-lo. O problema, parece-me, não está no acto em si, mas no momento em que ele se torna público. Um caso que me lembra o da agressão à professora por uma aluna, que pôs o país em acesa discussão sobre a perversidade das novas tecnologias, uma vez que o episódio se tornou público após exposição no Youtube, depois de ter sido gravado a partir de um telemóvel. Mais uma vez digo, a questão não seria lamentável se a agressão se processasse dentro das quatro paredes da sala de aula, num acto privado e isolado, como tantas e tantas vezes sucede; a questão coloca-se porque a agressão extrapolou a ordem privada e tornou-se pública. De quem é a culpa? Dos telemóveis, pois claro! Resolução: proíbe-se o seu uso dentro das salas de aula. Conclusão? As agressões continuam a existir, as agressões e as violações à lei por parte de quem exerce as maiores responsabilidades civis, pelo menos todas aquelas que se mantêm longe dos olhos públicos!
O que sei é que o calor pode tardar, mas eu garanto que os meus pés não voltarão a estar fechados dentro de um par de botas. Não quero saber se farei figuras ridículas por correr de chinelo no pé para não ser apanhada pela chuva, ou tiritar de frio, por estar com eles (os pés) expostos. O certo é que me recuso a sucumbir ao Inverno que por aí anda. E como gosto de ser coerente, quis tornar a minha resolução pública. Se não o fizesse, segundo os novos tempos, ela tornava-se menos verdadeira e, por consequência, inexistente. Estou certa?
segunda-feira, maio 19, 2008
Para que servem os amigos?
Para nada e dizer nada é dizer TUDO.
Os amigos protegem-nos da nossa existência, ou melhor, são a nossa existência. Por vezes, chegam de mansinho e arrastam-nos para outras dimensões, mais coloridas, diferentes. Também podem aproximar-se de rompante, sem qualquer aviso prévio, arrebatando-nos o tempo e a alma. Os amigos são uma caixinha preciosa, onde guardamos os mais terríveis segredos, aqueles que nos desnudam e nos revelam na inteireza crua da realidade. Sim, somos capazes de fazer o inaceitável, mas os amigos, os verdadeiros, não usam um discurso judicativo, informando-nos sobre os melhores caminhos; ao contrário, eles caminham de mão dada connosco e deixam-nos ser livres para fazermos as nossas escolhas.
Não tenho muitos amigos. Não existem assim tantas pessoas a quem possa telefonar e ser capaz de dizer apenas: "Quero chorar. Estou triste." Todavia, as que existem, funcionam como ponteiros do mesmo relógio, nunca param e movimentam-se sempre para o mesmo lugar, marcando a passagem do tempo de forma imperceptível, mas coordenada.
Os amigos protegem-nos da nossa existência, ou melhor, são a nossa existência. Por vezes, chegam de mansinho e arrastam-nos para outras dimensões, mais coloridas, diferentes. Também podem aproximar-se de rompante, sem qualquer aviso prévio, arrebatando-nos o tempo e a alma. Os amigos são uma caixinha preciosa, onde guardamos os mais terríveis segredos, aqueles que nos desnudam e nos revelam na inteireza crua da realidade. Sim, somos capazes de fazer o inaceitável, mas os amigos, os verdadeiros, não usam um discurso judicativo, informando-nos sobre os melhores caminhos; ao contrário, eles caminham de mão dada connosco e deixam-nos ser livres para fazermos as nossas escolhas.
Não tenho muitos amigos. Não existem assim tantas pessoas a quem possa telefonar e ser capaz de dizer apenas: "Quero chorar. Estou triste." Todavia, as que existem, funcionam como ponteiros do mesmo relógio, nunca param e movimentam-se sempre para o mesmo lugar, marcando a passagem do tempo de forma imperceptível, mas coordenada.
Sem os meus amigos, a minha vida não seria a minha vida. Seria outra coisa, mas não seria vida. Ao seu lado, tudo pode desmoronar-se, tudo pode tornar-se feio, cinzento, doloroso, pois olhar nos seus rostos é perceber que o futuro faz-se adiante e necessita da minha presença.
somewhere over the rainbow
quinta-feira, maio 08, 2008
Pontes sem margens
Hoje não foi um bom dia.
A minha irmã e os meus amigos mais próximos andavam preocupados comigo porque eu não conseguia dizer adeus ao amor. Tentaram de todas as formas possíveis procurar mostrar-me que amar sem receber nada em troca era errado, porque eu merecia mais, merecia tudo. Coisas de amigos e de irmãos. Não que eles não tivessem a sua razão ou a não tenham. O problema é que eu mesma tinha de encontrar razões, as minhas, para deixar de amar. Se as encontrei? Não. Talvez nem nunca as encontre, mas percebi que virar costas a um grande amor é uma manifestação de força (nunca de fraqueza) . Não sei se o sofrimento nos faz crescer, ainda não decidi se acredito neste mito. O que sei é que não preciso sofrer para crescer, pois conheço outras formas. E agora que tudo se tornou irremediavelmente definitivo, sobram-me 15 dias para fazer a desintoxicação. Não será fácil, eu sei. Terei mais dias como este: tristes. Terei dias em que o meu único conforto serão as lágrimas caídas no meu rosto. Todavia, mais cedo ou mais tarde, ele não será o meu primeiro pensamento do dia, nem o segundo, nem o último e, sem que eu perceba, transformar-se-á em memória de tempos idos. A partir de agora, a ponte não terá as margens que a sustentavam...
Hoje não foi um dia bom!
A minha irmã e os meus amigos mais próximos andavam preocupados comigo porque eu não conseguia dizer adeus ao amor. Tentaram de todas as formas possíveis procurar mostrar-me que amar sem receber nada em troca era errado, porque eu merecia mais, merecia tudo. Coisas de amigos e de irmãos. Não que eles não tivessem a sua razão ou a não tenham. O problema é que eu mesma tinha de encontrar razões, as minhas, para deixar de amar. Se as encontrei? Não. Talvez nem nunca as encontre, mas percebi que virar costas a um grande amor é uma manifestação de força (nunca de fraqueza) . Não sei se o sofrimento nos faz crescer, ainda não decidi se acredito neste mito. O que sei é que não preciso sofrer para crescer, pois conheço outras formas. E agora que tudo se tornou irremediavelmente definitivo, sobram-me 15 dias para fazer a desintoxicação. Não será fácil, eu sei. Terei mais dias como este: tristes. Terei dias em que o meu único conforto serão as lágrimas caídas no meu rosto. Todavia, mais cedo ou mais tarde, ele não será o meu primeiro pensamento do dia, nem o segundo, nem o último e, sem que eu perceba, transformar-se-á em memória de tempos idos. A partir de agora, a ponte não terá as margens que a sustentavam...
Hoje não foi um dia bom!
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