sexta-feira, junho 19, 2009

Traffic II

Só me conforta o facto de Durão Barroso ter sido apoiado por todos os líderes europeus para voltar a ser presidente da Comissão Europeia. Fico quase tão comovida com o sucedido quanto ele. E quase que esqueço a confusão de trânsito desta manhã e regresso ao estado de satisfação e felicidade anterior...

Traffic

Um gaja acorda feliz e satisfeita da vida, só porque se atreve a espreitar por cima das cortinas do quarto e se dá conta do brilho de sol que reclama pelos ares da manhã.
Mas uma gaja não pode sentir-se feliz e satisfeita durante muito tempo, até porque felicidade e satisfação causam uma espécie de urticária à maioria.
De feliz e satisfeita, passei a rabujenta e maldisposta assim que no primeiro cruzamento deparei com uma fila de carros enorme. E porquê? Porque duas gajas, que provavelmente se esqueceram de espreitar por cima das respectivas cortinas ao acordar, chocaram uma contra a outra e resolveram, como as gajas gostam, conversar sobre o sucedido em vez de ligarem para a Brigada de Trânsito ou desviarem a merda dos carros para a berma.
Resultado?
Cheguei tarde ao trabalho e perdi todo o ar de satisfação e felicidade que trazia ao sair de casa.

terça-feira, junho 16, 2009

Before/ After

estes dias resumem-se a atrapalhação total. o telefone interruptamente a tocar, os e-mails desdobrados em pedidos com urgências (in)evitáveis, sem ninguém perceber (acho que nem eu) que a vida corre a uma velocidade inimaginável, ultrapassando-nos e atropelando-nos em infímos segundos de desatenção.

um ano. faz hoje um ano que comecei tudo de novo. e este "de novo" não me soube, nem num único momento, ao "de sempre".

estou grata a quem proporcionou a mudança. sem esse "a quem" isto não seria a realidade dos meus dias.

por esta altura, estaria ainda sentada numa cadeira a tornar-me invisível com o maior profissionalismo com que podia. mas ser invisível é trabalho de grandes e eu sou coisa pouca nesta algarviada em que todos procuramos a tona de água.


Foto retirada no dia 26.06.2008, no topo do pilar norte da Ponte 25 de Abril

segunda-feira, junho 15, 2009

Pssst

Um papel branco recortado à pressa de um envelope de carta recebido há dias...
Uma caneta inexistente e, por isso, ineficaz na transmissão de um recado que por ser simples acabava por não ser tão simples assim...
Uma amiga a oferecer palavras de conforto e de coragem num momento tão delicado que poderia não ter sido sequer "um momento"...
Para celebrar um sorriso, a vergonha esvai-se e a coragem flui num gesto simples: "Não consegui arranjar uma caneta para te deixar o meu telefone. Ainda assim, aceitas ficar com o meu número?"

sexta-feira, junho 12, 2009

Vacaciones

Os pés na areia. A areia quente nos pés que se escondem.
A luz pouco sincera da noite. As estrelas ocultadas num oceano de céu. Mas estão sempre lá, paradas, bonitas, brilhantes, luzentes, ainda que nem sempre as vejamos. E o que não se vê, não existe?!
Os risos estridentes dos outros a fazer ricochete nos ouvidos sensíveis de poucos.
As férias são como as ondas: vão e vêm. E os amigos são como as férias e as ondas: vão e vêm; mesmo que haja uns que vão mais do que vêm e outros que vêm mais do que vão.

terça-feira, junho 02, 2009

Não DEVOTA não VOTA

Sou uma cidadã, como tal, tenho uma série de deveres e de direitos. Em ano de eleições, não posso deixar de avaliar o meu percurso enquanto eleitora. Não preciso reflectir muito para chegar à conclusão de que exerci apenas em duas únicas ocasiões o meu direito de voto: uma para eleger o Jorge Sampaio como Presidente da República, outra para dizer sim ao aborto. O que significa que tenho um carácter perigosamente abstencionista. Em 15 anos, votei duas vezes!
Já me disseram que quem não vota não devia ter direito a manifestar a sua opinião sobre a política e os políticos.
Já me disseram que quem não vota não respeita as pessoas que morreram a lutar pelo direito ao voto.
Já me disseram que sou menos cidadã pelo facto de não votar.
Já me disseram que mais vale votar nulo ou branco, pois esses votos são contabilizados estatisticamente, do que não votar.
"Se a liberdade não é dizer o que eu penso, mas deixar os outros pensar diferente de mim", aceito que tudo isso possa ser verdade. Ainda assim, para mim, não faz sentido votar quando não me sinto mobilizada para tal. Julgo que numa sociedade democrática o não-voto deve ser tido não como uma desresponsabilização - os outros que decidam - mas como uma tomada de posição - não voto porque não há nenhuma cor, nenhum rosto, nenhuma campanha que me leve ao acto de fé subjacente ao voto: quem não é devoto não vota.
Não faz sentido que em democracia se possa coagir seja quem for a votar. Aliás, o não-voto é precisamente a forma dos cidadãos revelaram o seu cansaço em relação à hipocrisia da não rotatividade das caras no poder, às anedóticas campanhas políticas, à irónica falta de carácter e de moral de quem devia servir de exemplo aos cidadãos comuns. Os cargos públicos têm de ser actos de generosidade e não actos de galanteio ao orgulho e ao poder.
Enquanto ISTO for nem mais nem menos do que ISTO, não voto.

segunda-feira, junho 01, 2009

Filho da Mãe









quando devias andar às risadas com as colegas da escola, a trocar segredinhos e a apontar, às escondidas, para os rapazes, carregavas uma barriga de mulher, com um princípio de gente lá dentro.

mais tarde, quando devias andar a pintar as unhas, ir ao cabeleireiro, à ginástica, em viagens pelo mundo fora, ajudavas-me a carregar uma barriga que era tua por ser minha.

foste mãe quando devias ser apenas filha e avó quando devias ser mãe.

agora, olha, estás aí enxutinha, com cara de mãe quando, na verdade, já és avó.