segunda-feira, junho 21, 2010

Eu e SARAMAGO

Muito se disse, e acredito que muito se dirá, sobre a vida, a morte e, sobretudo, sobre a obra de José Saramago. Contudo, sendo eu amante da literatura e das artes, não poderia deixar de escrever sobre o tema: ia almoçar quando me apercebi que tinha ocorrido qualquer situação grave, foi a TSF quem me trouxe a notícia. Já tinha pensado invariáveis vezes que Saramago morreria muito em breve.
Nada de novo até aqui. O que talvez seja novo é eu dizer que a obra que mais me emocionou deste escritor foi Conto da Ilha Desconhecida e a que mais me perturbou  Ensaio Sobre a Cegueira. Perturbou-me tanto que ainda não acabei de ler as páginas finais. O romamance repousa e aguarda pelo meu amadurecimento intelectual e emocional.
Não era especialmente devota da literatura do Saramago, mas não posso deixar de me sentir triste pelo apagamento da sua luz literária, humana. Sou absolutamente devota aos escritores que, como ele, foram capazes de pensar a dimensão do Homem; pois, ao fazê-lo, deram passos determinantes, mesmo que imperceptíveis, no conhecimento desta massa tão disforme, tão absoluta e tão real que conhecemos como HUMANIDADE.

quinta-feira, junho 17, 2010

Off

De vez em quando odeio a minha vida. Odeio a minha pele. Odeio o que digo, o que penso, a forma como digo o que digo e penso o que penso.
De vez em quando, olho para mim e detesto-me. Detesto a rotina dos dias, o trabalho instalado na rotina dos dias, o que se diz, o que fica por dizer.
De vez em quando apetecia-me virar para mim o comando da televisão e carregar eu mesma no OFF...

quarta-feira, junho 16, 2010

Gillettes

Ontem, pela primeira vez, vi-me num supermercado à procura de gillettes e espumas de barbear que não tinham como finalidade as minhas pernas; ontem, pela primeira vez, as gillettes e as espumas de barbear tiveram como objectivo os bigodes do meu filho.
Quanto tempo faltará até que o acompanhe à Farmácia para aconselhá-lo sobre... preservativos?

segunda-feira, junho 14, 2010

Pés de... lã?

Foi só quando olhei para o lado que percebi, o senhor que se encontrava, como eu, na casa de banho de um restaurante na praça Jemma El Fna, estava com um dos seus pés enfiado no lavatório e esfregava-o convictamente enquanto eu, no lavatório ao lado, lavava as mãos para ir almoçar...

terça-feira, junho 08, 2010

Conversas de esquina em Marrocos

- Italian? Spanish? English? French?
- Não. Portugueses.
- Ah, Portugal: obrigado, Cristiano Ronaldo, José Mourinho, Figo.
(E eu, de cada vez que participava neste diálogo repetido em cada esquina, perguntava-me: E a Amália?! Fernando Pessoa?! Camões?!)

segunda-feira, junho 07, 2010

Marrakech dos pequeninos

Em Marrakech as crianças têm olhos enormes, redondos, expressivos. Riem-se e as ondas do seu sorriso enlevam-nos num abraço maior do que todos os abraços de todos os mundos.
Na verdade, acho que o que mais me impressionou na cidade foram as crianças e a ternura a que nos obrigam, ao olhá-las, ao partilhar o espaço que habitam.
Não falávamos a mesma língua, ainda assim, entendíamo-nos.
A língua do amor é a mais antiga de todas e não precisa de qualquer tradução.
Se eu pudesse, coisa que não posso, tornar-me-ia na mãe daquelas crianças e inventar-lhes-ia histórias todas as noites sobre princesas e príncipes, sobre castelos e masmorras, sobre lutas e disputas para que o seu sono fosse mais povoado, mais cheio de tudo e, sobretudo, mais cheio de mim.

quarta-feira, junho 02, 2010

Maroco

Estou em Marrocos e tenho tanto para contar, mas nao me entendo com o teclado. Detesto escrever sem conseguir acentuar as palavras bem...