quarta-feira, abril 18, 2012

PorTITANICal

Acho que as pessoas andam distraídas daquilo que realmente importa.
E o que realmente importa não poderá ser a morte anunciada da Maternidade Alfredo da Costa nem as caçadas ao elefante do rei  (vai em minúscula para ser fiel à grandeza do monarca) de Espanha.
Eu sei que é importante, de vez em quando, estupidificarmo-nos em frente à TV, até porque, muitas vezes, as matérias interessantes, cultas, inteligentes, criativas, não são suficientes e a nossa consciência (ou cérebro) precisa de se entreter com outro tipo de actividades, ainda assim, não posso deixar de me espantar com a onda de solidariedade humana que nasceu à volta da Alfredo da Costa nem com a onda de indignação gerada à volta das caçadas de elefantes do rei (mantenho a minúscula para ser coerente) espanhol.

Num país à beira do colapso, em que, semana após semana, são anunciadas pelo governo (uso a minúscula para demonstrar a pequenez dos que nos governam), eleito pela maioria dos portugueses (no qual orgulhosamente me excluo), medidas que revelam, acima de tudo, falta de honestidade e transparência política, há um povo entretido com o fecho de uma maternidade (inegavelmente histórica) e as caçadas de um rei moribundo.

O atraso de 2 anos na reposição do 13.º e 14.º meses nos salários dos funcionários públicos; a proibição das reformas antecipadas, o aumento de quase 7% do gás natural (que representará, em 2012, o segundo aumento); o  sucessivo aumento do preço dos combustíveis; o aumento sem precedentes do número de desempregados; a intenção de aumentar a idade da reforma sem antes reformar a mentalidade dos empregadores que continuam a desvalorizar colaboradores com mais de 30 anos; a constante ameaça (que não passará de mera ameaça, uma vez que o medo é o melhor amigo na guerra da ignorância insane) da falência da Segurança Social; o débil e confrangedor Sistema Nacional de Saúde, a verborreia institucional do Primeiro Ministro; a morbidez do ensino superior, todas estas questões deveriam ser discutidas abertamente pelos portugueses e a indignação deveria resultar daquilo que as mesmas suscitam ou fazem advinhar.

Não podemos andar à deriva no Botswana ou na Rua Viriato, em Lisboa... corremos o risco de afundar, sem antes embatermos num icebergue de razóaveis dimensões.

2 comentários:

duarte disse...

Gosto imenso deste post, está lindo! Keep going mãe :)
E bem-vinda ao mundo dos blogs ahah

Sónia disse...

Gostaste? Boa, fico vaidosa, vaidosa, vaidosa.

Beijo grande, filho do coração.