sábado, março 14, 2009

Só sozinha.

Não me apaixono por homens, mas por histórias. E quanto mais impossíveis, melhor. Se vislumbro a mínima oportunidade da relação resultar em qualquer coisa duradoira e saudável, fujo. O meu corpo entra em rejeição absoluta e, sem que o processo resulte em algo consciente, resguardo-me num manancial de motivos para sustentar a minha esperável fuga:
1. Ele é solteiro e não tem namorada. Tem algum problema;
2. Ele vive com os pais;
3. Ele não tem um trabalho interessante;
4. Ele diz "prontos" ou "hadem" ou "gostastes";
5. Ele gosta de filmes como o "Australia";
6. Ele não gosta de ler;
7. Ele manda-me demasiadas mensagens;
8. Ele não manda mensagens.
Há qualquer coisa de trágico e irreversível no que digo, assim como de verdadeiro e honesto.
A autodissecação não é um caminho fácil, olhar para dentro de nós pode cegar-nos, pois a maior parte dos dias vivemos com um "eu" inventado, um "eu" ficcionado à medida das nossas necessidades.
Cheguei a um caminho de não-retorno. A generalidade dos homens desperta-me interese durante os primeiros cinco minutos; após esse tempo, que poderia ser medido matematicamente, o feitiço termina e encontro-me preparada para sair dali e esquecer que ele existe. As chamadas irritam-me, os sms devoram a minha simpatia e cordialidade.
Quero ser eu sozinha, mas ao mesmo tempo, sei que não é justo, nem para mim própria, tal desejo. Os cabelos cair-me-ão, antes ou depois dos dentes, a pele enrrugará, antes ou depois dos ossos, e o espelho devolver-me-á uma imagem que hoje ainda é uma miragem. E ao meu lado ninguém com quem partilhar o esquecimento.

2 comentários:

Robson Ribeiro disse...

Olá!

Não sei o que dizer sobre isso.

Sou apenas um poeta.

Mas adorei ler o texto...

Beijos!

Ego. disse...

...impossivel ser feliz sozinho...
Já dizia uma canção!!


Mas pq???

Seus escritos muito me disseram essa noite, sua sinceridade madura!

Bjus querida*