quinta-feira, junho 25, 2009

Mesures

a distância e o tempo não são medidas universais. parecem, mas não são.
em miúda, uma viagem da casa dos meus pais à casa da minha madrinha demorava horas, tal era a minha ânsia de chegar. hoje, a mesma viagem não me toma mais do que poucos minutos: o caminho é o mesmo de há 20 anos atrás, as mesmas curvas, as mesmas rectas, os mesmos sinais luminosos.
a distância e o tempo são medidas flexíveis. ontem demorei 10 minutos entre Almada e Cascais. normalmente preciso de uns 20 a 40. só que esses 10 minutos pareceram 10 vidas multiplicadas por outras 10: lembro-me de tudo (excepto da estrada), lembro-me dos olhos de mar, da voz ao telefone a repetir "meu amor", da preocupação de todas as vezes que não estamos bem ou existe essa suspeita, da minha primeira jóia a brilhar-me no dedo e que agora só cabe em bonecas de brincar, do meu primeiro casaco, do meu primeiro relógio, dos meus primeiros ténis de marca, das minhas primeiras viagens de autocarro ao lado dela, com as mãos dela nas minhas.
Bastou qualquer coisa como:
- Sónia, a avó...
Nesse instante, ganhei asas!

2 comentários:

Anônimo disse...

Wow!
Foi a expressão que saiu da minha boca mal acabei de ler o post.
É incrível o dom que tens de me fazer chorar com o que escreves.
Sinceramente, o que senti foi um pouco diferente, pois preferi imaginar o melhor e tentar manter a calma, mais que não fosse para me enganar a mim próprio.
Mas FELIZMENTE parece que não me enganei.
Beijo.
Pedro.

Sónia disse...

Só te emocionas porque tu (a Tânia, a Rita) fazes(em) parte daquilo que escrevo.
Naquele instante nem soube que a "calma" existia, isso veio depois, quando entrei no lugar das macas e tive de olhá-la nos olhos e dizer-lhe: Está tudo bem!