quinta-feira, agosto 20, 2009

Talk to the HAND


Sentir a sua mão no rosto devolvia-lhe a sensação de redenção absoluta. A pele do corpo virava galinha, num repente brusco e disparatado. Nem o bater do coração escapava, por acelarar-se em batidas descompassadas e persistentes. Ela não queria pensar muito no assunto. Pensar estraga, dizia para si própria, como se o dissesse aos ouvidos das amigas, no recreio da escola preparatória.

Aquelas mãos, ela sabia, não eram como outras que sentira no mesmo rosto e na mesma pele. Aquelas eram AS mãos. Mãos que demoravam horas a encenar os contornos específicos do seu rosto de mulher. Mãos que dispensam olhos, e até boca. Mãos que afagam, que apertam. Mãos que amam. Mãos que são MUITO em TUDO.

Voltados um para o outro, alheavam-se da vida que continuava além deles: o camião do lixo, os vizinhos a entrar e a sair, o relógio do tempo a tiquetaquear.

- Sandra - Foi a última coisa que ela ouviu, dita num murmúrio dolente, quente, húmido.

Afastou-o de si, olhando-o nos olhos:

«Depois de mim, depois das outras mulheres, é o meu nome que dirás, e nenhum outro.»


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